Resumo: Os computadores e a Internet nas
universidades e organismos de pesquisa têm se mostrado um
elemento com potencial para a dinamização da
construção, uso e disseminação da
informação para o trabalho colaborativo dos grupos de
pesquisa. Porém, não é evidente o uso de sistemas
de informação especializados para apoiar essa modalidade
de trabalho. Nesse cenário, a presente pesquisa tem como
objetivo analisar qual é a efetiva utilização
desses sistemas por grupos de pesquisa para a realização
de seus trabalhos.
Palavras-chave: Ciência da
Informação; Grupos de Pesquisa; Trabalho Colaborativo
apoiado por Computadores; TCAC; Grupo de Trabalho; Sistemas de
Informação para Colaboração; Ambientes
Virtuais de Colaboração; Trabalho Científico
Colaborativo; Fluxo da Informação;
Interação Humano-Computador.
Abstract: The computers and the Internet in
the universities and organisms of research have been shown as an
element with potential for the dynamization of the construction, use
and dissemination of the information for the collaborative work of the
research groups. However, it is not evident the use of specialized
information systems for support this modality of work. In this context,
this research has as objective analyze which is the effective use of
information systems by research groups for the accomplishment of its
works.
Key words: Information Science; Research Groups;
Computer Supported Collaborative Work; CSCW; Groupware; Information
Systems for Collaboration; Virtual Environments for Collaboration;
Collaborative Scientific Work; Information Flux; Human-Computer
Interaction.
Introdução
Este trabalho visa divulgar um subconjunto de resultados obtidos em
Ramos (2006).
Com as tecnologias de informação atuais e a ampla
expansão da grande rede mundial de computadores, a Internet,
vários são os recursos computacionais desenvolvidos com a
proposta de criar um meio compartilhado ideal para a
produção, disseminação e uso da
informação, sejam esses desenvolvidos para a
obtenção de lucro, tal como nas empresas, ou
desenvolvidos para colaborar com a sociedade por intermédio da
ciência, tal como nas universidades e órgãos que
apóiam a pesquisa.
Os sistemas de GroupWare
são sistemas de
informação desenvolvidos para apoiar grupos que
desenvolvem suas tarefas de maneira colaborativa, propondo facilidades
de comunicação e controle que corroboram para a
fluência dessa modalidade de trabalho.
Para facilitar o acesso a mais de uma simples ferramenta de GroupWare,
comumente são desenvolvidos ambientes computacionais que
comportam diferentes ferramentais para a colaboração de
grupos. Pelo fato de sua abstração do meio físico
compartilhado para colaboração, esses ambientes
computacionais serão denominados neste trabalho como Ambientes
Virtuais de Colaboração (AVC).
Com o cenário apresentado, o objetivo principal desse
trabalho
discorre sobre o seguinte questionamento: Qual é a efetiva
utilização de sistemas de informação, que
provêm apoio ao trabalho colaborativo, por grupos de pesquisa
para a realização de seus estudos de forma colaborativa?
O desenvolvimento deste trabalho é justificado por recair
sobre
algumas características próprias dos pesquisadores
inseridos em grupos de pesquisa, tal como a dificuldade de encontros
presenciais entre os seus integrantes. Essa dificuldade se deve ao fato
de grande parte de seus pesquisadores possuírem outras
atividades além das estabelecidas por seu grupo, tais como
aulas, viagens a congressos, participação administrativa
nas instituições onde trabalham e outras atividades que
demandam tempo e deslocamento constante.
Nessas circunstâncias, os sistemas de informação
que dão apoio ao trabalho colaborativo, dispõem de
mecanismos de comunicação que permitem
independência de tempo e espaço para que o pesquisador
possa colaborar com seus grupos de pesquisa, contemplando um
espaço virtual compartilhado que pode ser acessado em qualquer
horário e a partir de qualquer computador conectado à
Internet, permitindo assim, uma maior autonomia de seu tempo e
expandindo as oportunidades de encontros dos grupos para além
dos presenciais.
O cenário exposto por este trabalho apresenta
benefícios
diretos à Ciência da Informação, por lidar
com questões que alicerçam a otimização do
fluxo da informação em grupos de pesquisa para a
produção do conhecimento; aos desenvolvedores de
Tecnologia da Informação, por problematizar a
eficiência de seus sistemas e como esses podem ser aprimorados
para apoiar os trabalhos colaborativos de grupos de pesquisa; e
às instituições que apóiam à
pesquisa, por indicar fatores relacionados à tecnologia e
infra-estrutura que auxiliam o trabalho colaborativo de seus grupos de
pesquisa.
A ciência, como um amplo sistema social, se materializa a
partir
de três ações que podem ser apoiadas pelos sistemas
de informação para colaboração: a
disseminação, pelo fato de o meio eletrônico
facilitar a comunicação entre pesquisadores; a
padronização, devido aos métodos de
produção e armazenamento oferecidos; e a homenagem aos
autores, visto que esses sistemas contemplam o registro completo das
produções.
Este trabalho, desenvolvido sobre a linha de pesquisa de
produção e disseminação da
informação, traz contribuições diretas para
a área da Ciência da Informação, pois, em
concordância com sua linha de pesquisa, seu estudo lida com
processos, procedimentos, teorias e técnicas necessárias
à concepção e à avaliação de
produtos informacionais, discutindo criticamente a cadeia de
produção, circulação e uso da
informação por um determinado segmento
sociocultural.
A ciência da informação e os ambientes virtuais de
colaboração
Para Le Coadic (1996, p. 11) o fluxo da informação pode
ser interpretado como uma analogia ao esquema econômico
básico: Produção --> Distribuição
--> Consumo, que resulta no ciclo da informação:
Construção --> Comunicação --> Uso,
representado pela figura a seguir.

Figura 01 - Modelo social do ciclo da informação
Fonte: Le Coadic (1996, p. 11)
Os processos envolvidos com o trabalho colaborativo mediado por AVC se
alinham perfeitamente com os desígnios de estudo da
ciência da informação, pois para trabalharem de
maneira colaborativa, os membros de um grupo, inegavelmente, utilizam
os princípios de fluxo da informação, expostos por
Barreto (1999), para gerarem as informações e
conhecimentos que serão transmitidos aos demais membros para sua
percepção, apropriação e
geração de outros conhecimentos e
informações.
Em consonância a esse alinhamento, surge o modelo social do
ciclo
da informação, supracitado, criado por Le Coadic (1996),
pois devido ao fato de a colaboração ser um evento
essencialmente social, irrefutavelmente, os membros de um grupo, que
trabalham de maneira colaborativa, valem-se de cada um dos componentes
desse ciclo, construindo informações que são
comunicadas aos demais membros e, depois de percebidas e apropriadas,
são utilizadas para a construção de outras.
Metodologia Aplicada
Para avaliar as diversas situações e
relações decorrentes da vida social, política,
econômica e demais aspectos do comportamento humano dos grupos de
pesquisa, foi escolhido como método para o desenvolvimento deste
trabalho a pesquisa descritiva. (SELLTIZ et al, 1975, p. 59; CERVO e
BERVIAN, 2002, p. 66).
Para a coleta de dados de maneira ordenada e controlada, visando
criar
um ambiente consistente para análises,
averiguações quanto aos relacionamentos entre
variáveis e inferências para solver o estado anômalo
do conhecimento, (Le Coadic, 1996, p. 9), exposto no objetivo deste
trabalho, foi escolhido o questionário como técnica e
instrumento.
A forma de aplicação do questionário em pauta
se
deu por meio eletrônico, em que cada respondente recebeu por
correio eletrônico (e-mail) uma breve apresentação
da pesquisa e um endereço eletrônico para uma
página web onde pôde responder o questionário de
maneira rápida e prática. Para a aplicação
do questionário eletrônico, foi desenvolvido um sistema de
informação, sob plataforma web, para o controle e
gestão automática dos processos envolvidos com a
autenticação de respondentes, apresentação
da pesquisa e do questionário, e o armazenamento das respostas
em uma base de dados. Para facilitar sua referência, o sistema de
informação construído será chamado de
Questionário On-Line. (RAMOS, 2006)
A população ou universo escolhido para o estudo
proposto
por este trabalho encerra-se nos líderes dos grupos de pesquisa
atualizados nos últimos 12 meses, certificados por suas
respectivas instituições e cadastrados no
Diretório de Grupos de Pesquisa no Brasil da Plataforma Lattes
do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico (CNPq [1]). Os dados da base de
amostragem foram
cedidos pela Assessoria de Estatística e
Informação do CNPq por meio de um pedido formal. (RAMOS,
2006).
Devido à grande população que se encerra na
massa
de dados obtida, 24.015 grupos de pesquisa cadastrados na época
deste levantamento, na Plataforma Lattes, o processo adotado para a
determinação da amostra, utilizada para o desenvolvimento
deste trabalho, foi concretizado em duas etapas, sendo a primeira
formada pela técnica de amostragem probabilística
aleatória simples, que se mostrou suficiente para a
construção de um subconjunto delimitador do universo
adotado; e a segunda, pela técnica de amostra intencional,
construída a partir dos resultados obtidos na etapa antecedente.
Os cálculos envolvidos com a primeira etapa para a
determinação da amostra utilizada neste trabalho,
constituída pela amostragem probabilística
aleatória simples, foram embasados em Oliveira e Grácio
(2005).
O resultado da amostra para um nível de confiança de
95%,
com um erro amostral tolerável de 5% e para um universo de
24.015 líderes de grupos de pesquisa, foi de 393 líderes.
Para que o sorteio contemplasse uma amostra mais representativa de
sua
população, optou-se por realizar uma amostra
estratificada. Para isso, a população foi dividida em
subconjuntos delimitados pelas grandes áreas de conhecimento
determinadas pelo CNPq. Como 393 representam 1,64% de 24.015, foram
calculadas amostras estratificadas de 1,64% de cada grande área
de conhecimento, tal como ilustrado na tabela abaixo.
Tabela 01 - Amostras estratificadas
por grande área de
conhecimento

Para a filtragem das grandes áreas, dentro da massa de dados
cedida pelo CNPq, foi utilizado o software de processamento de
planilhas eletrônicas MS Excel [2], criando-se
um arquivo de texto
tabulado para cada uma dessas.
Para realizar o sorteio de forma totalmente aleatória e com a
garantia da reposição de elementos já sorteados,
foi desenvolvido um sistema de informação que automatizou
essa tarefa, produzindo arquivos de texto tabulado que continham os 393
líderes sorteados. Esse sistema de informação pode
ser conferido em (RAMOS, 2006).
Devido ao fato da comunicação e
aplicação
do instrumento de coleta de dados ser realizada por meio de correio
eletrônico, dificilmente seriam obtidas respostas para toda a
amostra formada na primeira etapa, pois, provavelmente, muitos
endereços de e-mail estariam desatualizados, muitos outros
seriam desconsiderados, pelo grande número de e-mails
indesejados e mal intencionados que trafegam pela Internet atualmente;
outros não seriam respondidos pela eventual falta de
familiaridade de alguns pesquisadores com essa ferramenta e outros pela
falta de tempo desses líderes.
Com isso decidiu-se trabalhar com uma amostragem intencional para a
segunda etapa para a determinação da amostra deste
trabalho, sendo essa formada pelas respostas obtidas dos 393 e-mails
enviados.
Visando apresentar este trabalho de forma mais objetiva e respeitar
seu
limite de espaço, das 26 perguntas que conformam o
questionário original apresentado em Ramos (2006), serão
indicadas somente as diretamente relacionadas aos resultados obtidos,
sem alteração do número de ordem em que aparecem
no texto original.
Tabela 02 - Perguntas conforme
apresentadas em Ramos (2006)
Pergunta 02 - Qual é sua área de
formação
de seu mestrado?
a. Ciências Agrárias
b. Ciências Biológicas
c. Ciências da Saúde
d. Ciências Exatas e da Terra
e. Ciências Humanas
f. Ciências Sociais Aplicadas
g. Engenharias
h. Lingüística, Letras e Artes
Pergunta 08 - De forma geral, quão próximos os
pesquisadores de seu grupo estão?
a. Muito próximos (Mesma cidade ou a menos de 50km)
b. Próximos (Cidades vizinhas, estados vizinhos ou entre 50km e
200km)
c. Distantes (Estados não vizinhos ou entre 200km e 700km)
d. Muito Distantes (Estados distantes, outros países ou a mais
de 700km)
Pergunta 10 - Qual das seguintes formas de comunicação
é a DE SUA PREFERÊNCIA para colaborar com os pesquisadores
de seu grupo?
a. Computador (E-mail, fórum de discussões, áudio
conferência, etc...)
b. Telefone (Voz)
c. Fax (Texto)
d. Cartas (Texto)
e. Pessoalmente (Encontros, reuniões, etc...)
f. Outros. Quais? ____________________
Pergunta 11 - Qual das seguintes formas de comunicação
é a MAIS UTILIZADA para colaborar com os pesquisadores de seu
grupo?
a. Computador (E-mail, fórum de discussões, áudio
conferência, etc...)
b. Telefone (Voz)
c. Fax (Texto)
d. Cartas (Texto)
e. Pessoalmente (Encontros, Reuniões, etc...)
f. Outros. Quais? ____________________
Pergunta 13 - O seu grupo de pesquisa utiliza algum ambiente virtual de
colaboração para o apoio de seus trabalhos colaborativos?
a. Sim. Qual? ____________________
b. Não
c. Desconheço
Pergunta 14.4 - Qual é o grau de dificuldade que esse ambiente
apresenta para o desenvolvimento de seus trabalhos colaborativos com
seu grupo de pesquisa?
a. Muito baixo
b. Baixo
c. Razoável
d. Alto
e. Muito Alto
Pergunta 14.5 - Em sua visão de líder de grupo, qual
é a aceitação de seus pesquisadores em
relação a utilização dessa modalidade de
ambiente virtual para o desenvolvimento de seus trabalhos
colaborativos?
a. Total
b. Parcial
c. Nenhuma
Resultados Obtidos
Por meio do sistema de informação desenvolvido para a
aplicação do Questionário
On-Line, foi constatado
que 100 líderes de grupo de pesquisa, dos 393 selecionados como
amostra do universo considerado, responderam completamente o
questionário. Essa taxa de devolução,
aproximadamente 25% do total, pode ser considerada como
satisfatória, pois acreditava-se que, devido ao
incontrolável número de e-mails indesejados (SPAM) que
são recebidos todos os dias, não seriam obtidas mais do
que 40 respostas. Porém, mesmo com a probabilidade da baixa taxa
de devolução, essa forma de aplicação se
justifica pelo fato de incluir um maior número de respondentes
geograficamente dispersos.
Considerando a compilação dos dados colhidos por meio
das
respostas dadas ao Questionário
On-Line, e visando criar
subsídios para responder à pergunta que conforma o
objetivo deste trabalho, os resultados obtidos serão
apresentados sob forma de gráficos estatísticos.
Para facilitar a exposição dos cruzamentos entre as
respostas obtidas, será apresentado primeiramente o resultado
obtido pela pergunta 13 do questionário, que, apesar de se
não ser a primeira pergunta considerada, se relaciona
diretamente com o objetivo principal deste trabalho e serve como
alicerce as outras questões.
| 1 - Apenas 32% dos pesquisadores utilizam AVC para desenvolver seus trabalhos de maneira colaborativa, contra 68% que não o utilizam. Com isso, foi constatado que nenhum dos líderes consultados desconhecia o uso desses ambientes por seu grupo. | ![]() |
| 2 - Dentre as grandes áreas de conhecimento determinadas pelo CNPq, os líderes dos grupos de pesquisa inseridos nas Ciências Agrárias foram os únicos a indicar uma taxa de utilização de AVC acima de 50%, sendo apurado que 60% desses utilizam AVC para desenvolver seus trabalhos de pesquisa. Em contrapartida, os líderes dos grupos de pesquisa das Engenharias mostraram-se como os que menos utilizam AVC, por apresentarem uma taxa de apenas 15%. | ![]() |
| 3 - 75% dos pesquisadores que utilizam AVC se encontram muito próximos uns dos outros (mesma cidade ou até 50 km de distância). Esse fato confirma a temática apresentada em Ramos (2006, p. 79), onde parte-se da premissa básica que a natureza do ser humano é social, pois a proximidade física mostra-se como componente determinante para a busca dos pares para pesquisa e para o próprio desenvolvimento de seus trabalhos científicos. | ![]() |
| 4 - 50% dos líderes de grupos de pesquisa consideram razoável a tarefa agendar reuniões com todos os integrantes de seus grupos, contra 34% que consideram essa tarefa fácil e 16% que a consideram difícil. Com esse resultado pode-se inferir que 66% dos líderes lidam com problemas de encontrar um horário comum a todos os participantes de seus grupos para marcar encontros presenciais. Esse fato reforça o apresentado na justificativa deste trabalho, em que se discorre que os pesquisadores possuem outras atividades além das estabelecidas por seus grupos, que demandam tempo e deslocamento constante, dificultando assim a marcação de reuniões em horários comuns a todos. | ![]() |
| 5 - 52% dos líderes de grupos de pesquisa preferem utilizar o computador para se comunicar com os demais pesquisadores de seu grupo, contra 45% que preferem a comunicação presencial e apenas 3% que preferem o telefone. Ao cruzar essas informações com o uso de AVC, constata-se que 69% desses preferem a comunicação por meio de computadores, contra 28% que preferem encontros presenciais e apenas 3% que preferem o telefone. Esse fato mostra a grande inserção dos computadores dentro do trabalho colaborativo dos grupos de pesquisa; porém pouco pode ser constatado a respeito da utilização de ambientes virtuais apropriados para essa modalidade de trabalho colaborativo. | |
| 6 - Diferentemente da preferência examinada no resultado anterior, constatou-se que 68% dos líderes utilizam com maior freqüência o computador para a comunicação com seu grupo, enquanto que 28% utilizam encontros presenciais e 4% utilizam o telefone. Tal como realizado na construção do resultado anterior, ao cruzar essas informações com o uso de AVC, constata-se que 88% desses líderes utilizam com maior freqüência os computadores, enquanto que 9% valem-se de encontros presenciais e 3% utilizam o telefone. | ![]() |
| 7 - Com o cruzamento dos
resultados 5 e 6 deste trabalho, pode-se
observar que tanto preferencialmente quanto de fato, o computador se
mostra como forma predominante de comunicação entre o
líder e os pesquisadores dos grupos de pesquisa. Em
anuência ao exposto em Ramos (2006, p. 79), pela
característica social inerente ao ser humano, os líderes
dos grupos de pesquisa prefeririam ter mais encontros presenciais (28%)
para comunicarem-se do que acontece de fato (9%). |
![]() |
| 8 - Os resultados 5 e 6 desta seção evidenciam que o computador substituiu totalmente o uso de aparelhos de fax e cartas manuscritas para a comunicação entre líderes e integrantes de grupos de pesquisa, enquanto o telefone teve uma considerável queda em seu uso para esse propósito. | |
| 9 - 66% dos líderes de grupos de pesquisa, que utilizam AVC, consideram que esses ambientes apresentam um grau de dificuldade baixo, enquanto 34% o consideram como razoável e nenhum pesquisador considera essa grau elevado. | ![]() |
| 10 - 62,5% dos líderes de grupo de pesquisa, usuários de AVC, consideram que o nível de aceitação de seus pesquisadores em relação à utilização desse ambiente é total, enquanto 37,5% consideram esse nível como parcial e 0% o consideram como inexistente. Esse resultado evidencia que, apesar de todos os fatores que dificultam seu uso, seu nível de aceitação pelos pesquisadores é significativo. | ![]() |
Análise dos Resultados e
Conclusões
Com os resultados obtidos, desenvolvidos pela devida
aplicação do método proposto, pesquisa descritiva
com aplicação de questionário, são
construídas as conclusões deste trabalho de maneira a
responder a pergunta que conforma seu objetivo.
A efetiva utilização de ambientes virtuais
colaborativos,
por grupos de pesquisa para o desenvolvimento de seus trabalhos de
colaboração, é baixa, pois apresenta um
público de usuários de 32% do seu total, sendo que,
após realizar alguns cruzamentos de dados, e verificar quais dos
pesquisadores consultados indicaram ambientes virtuais próprios
para o desenvolvimento colaborativo de seus trabalhos, esse
índice pode ser reduzido para apenas 5%.
O menor índice supracitado mostra que os conceitos envolvidos
com o uso de ambientes virtuais colaborativos para o apoio de trabalhos
de pesquisa são pouco difundidos, sendo esses ambientes muitas
vezes confundidos com ferramentais isolados, que podem constituir um
AVC, tal como a ferramenta de e-mail, que dentro de 32% de
usuários de AVC, obteve uma taxa de 59% de uso.
Mesmo com as facilidades de independência de espaço e
tempo, averiguadas na introdução deste trabalho, que a
princípio trariam grandes benefícios aos pesquisadores,
já que esses muitas vezes acumulam outras atividades além
da pesquisa; o componente presencial é um fator de suma
importância tanto para a criação de grupos de
pesquisa, quanto para o desenvolvimento de seus trabalhos
colaborativos.
De maneira análoga aos encontros presenciais, os encontros
virtuais podem construir ambientes formais propícios e
confortáveis a discussões, debates e
formação de conceitos, porém, somente nos
encontros presenciais são criados ambientes informais onde
erros, brincadeiras, invenções e discussões menos
formais são mais naturais, pois esses não contam com
mecanismos inibidores, tais como os registros completos de suas
conversas.
Como alicerce ao fato da importância do componente presencial,
este trabalho traz os seguintes resultados:
Por fim, é necessário inferir que os encontros
presenciais para o desenvolvimento dos trabalhos colaborativos dos
grupos de pesquisa, utilizados pela inerente característica
social dos seres humanos, dificilmente serão substituídos
por sistemas de informação que provêm ambientes
virtuais de colaboração, portanto é
razoável concluir que esses ambientes devem ser utilizados de
forma complementar, apenas como mais um ferramental para otimizar o
fluxo de informações dentro de um grupo de pesquisa, e
nunca de maneira a substituir os inevitáveis e apropriados
encontros presenciais.
Agradecimentos
À Assessoria de Estatística e Informação do
CNPq, pela rápida extração do conjunto de dados da
base corrente do Diretório de Grupos de Pesquisa no Brasil que
formou o universo escolhido para o estudo proposto por este trabalho.
À Pontifícia Universidade Católica de Campinas
(PUC-Campinas) pelo apoio institucional e financeiro que possibilitaram
a realização deste trabalho.
[2] http://www.microsoft.com/brasil/office/default.asp
BARRETO, A.A. O destino da Ciência da
Informação: entre o cristal e a chama.
Informação e Sociedade: Est. João Pessoa, V.9, n.2
p. 371-382, 1999. Também disponível em DataGramaZero. Rio de Janeiro, n.
zero, dez 1999 <
http://www.dgzero.org/dez99/Art_03.htm
>.
CERVO, Amado L.; BERVIAN, Pedro A. Metodologia científica. 5
ed. São Paulo: Prentice Hall, 2002.
LE COADIC, Yves-François. A ciência da
informação. Brasília: Briquet de
Lemos/Livros, 1996.
OLIVEIRA, Ely F. T. de ; GRÁCIO, Maria C. C. Análise a
respeito do tamanho de amostras aleatórias simples: uma
aplicação na área de ciência da
informação. DataGramaZero.
Rio de Janeiro, v.6, n.3, jun 2005. Disponível em: < http://www.dgzero.org/ago05/Art_01.htm
>. Acesso em: 13 jun. 2006.
RAMOS, Amauri P. Construção,
uso e disseminação da informação em grupos
de pesquisa por meio de ambientes virtuais de colaboração.
Trabalho apresentado como requisito parcial para obtenção
do título de Mestre - Programa de Mestrado em Ciência da
Informação, PUC-Campinas, 2001.
SELLTIZ, Wrightsman; et al.
Métodos de pesquisa nas
relações sociais. São Paulo: E.P.U., EDUSP,
1975.
Sobre os autores / About the Authors:
Amauri Pereira Ramos
amauriramos@gmail.com
Mestre em Ciência da Informação,
Pontifícia Universidade Católica de Campinas -
PUC-Campinas, Rod. Dom Pedro I, Km 136, Parque das Universidades,
13.086-900, Campinas, SP, Brasil, Tel: 19 3756-7001
José Oscar Fontanini de Carvalho
oscar@puc-campinas.edu.br
Doutor em Engenharia Elétrica, Professor Titular da
Pontifícia Universidade Católica de Campinas -
PUC-Campinas, Rod. Dom Pedro I, Km 136, Parque das Universidades,
13.086-900, Campinas, SP, Brasil, Tel: 19 3756-7365