DataGramaZero - Revista de Ciência da Informação - v.8  n.1   fev/07                  ARTIGO 01

A utilização de ambientes virtuais para a colaboração por grupos de pesquisa brasileiros: uma análise do desenvolvimento de trabalhos de maneira colaborativa
The use of virtual environments of collaboration for brazilian research groups: an analysis of the development of works in a collaborative way
por Amauri Pereira Ramos e José Oscar Fontanini de Carvalho




Resumo: Os computadores e a Internet nas universidades e organismos de pesquisa têm se mostrado um elemento com potencial para a dinamização da construção, uso e disseminação da informação para o trabalho colaborativo dos grupos de pesquisa. Porém, não é evidente o uso de sistemas de informação especializados para apoiar essa modalidade de trabalho. Nesse cenário, a presente pesquisa tem como objetivo analisar qual é a efetiva utilização desses sistemas por grupos de pesquisa para a realização de seus trabalhos.
Palavras-chave: Ciência da Informação; Grupos de Pesquisa; Trabalho Colaborativo apoiado por Computadores; TCAC; Grupo de Trabalho; Sistemas de Informação para Colaboração; Ambientes Virtuais de Colaboração; Trabalho Científico Colaborativo; Fluxo da Informação; Interação Humano-Computador.

Abstract: The computers and the Internet in the universities and organisms of research have been shown as an element with potential for the dynamization of the construction, use and dissemination of the information for the collaborative work of the research groups. However, it is not evident the use of specialized information systems for support this modality of work. In this context, this research has as objective analyze which is the effective use of information systems by research groups for the accomplishment of its works.
Key words: Information Science; Research Groups; Computer Supported Collaborative Work; CSCW; Groupware; Information Systems for Collaboration; Virtual Environments for Collaboration; Collaborative Scientific Work; Information Flux; Human-Computer Interaction.
 
 
 

Introdução


Este trabalho visa divulgar um subconjunto de resultados obtidos em Ramos (2006).

Com as tecnologias de informação atuais e a ampla expansão da grande rede mundial de computadores, a Internet, vários são os recursos computacionais desenvolvidos com a proposta de criar um meio compartilhado ideal para a produção, disseminação e uso da informação, sejam esses desenvolvidos para a obtenção de lucro, tal como nas empresas, ou desenvolvidos para colaborar com a sociedade por intermédio da ciência, tal como nas universidades e órgãos que apóiam a pesquisa.

Os sistemas de GroupWare são sistemas de informação desenvolvidos para apoiar grupos que desenvolvem suas tarefas de maneira colaborativa, propondo facilidades de comunicação e controle que corroboram para a fluência dessa modalidade de trabalho. 
Para facilitar o acesso a mais de uma simples ferramenta de GroupWare, comumente são desenvolvidos ambientes computacionais que comportam diferentes ferramentais para a colaboração de grupos. Pelo fato de sua abstração do meio físico compartilhado para colaboração, esses ambientes computacionais serão denominados neste trabalho como Ambientes Virtuais de Colaboração (AVC).

Com o cenário apresentado, o objetivo principal desse trabalho discorre sobre o seguinte questionamento: Qual é a efetiva utilização de sistemas de informação, que provêm apoio ao trabalho colaborativo, por grupos de pesquisa para a realização de seus estudos de forma colaborativa?

O desenvolvimento deste trabalho é justificado por recair sobre algumas características próprias dos pesquisadores inseridos em grupos de pesquisa, tal como a dificuldade de encontros presenciais entre os seus integrantes. Essa dificuldade se deve ao fato de grande parte de seus pesquisadores possuírem outras atividades além das estabelecidas por seu grupo, tais como aulas, viagens a congressos, participação administrativa nas instituições onde trabalham e outras atividades que demandam tempo e deslocamento constante. 

Nessas circunstâncias, os sistemas de informação que dão apoio ao trabalho colaborativo, dispõem de mecanismos de comunicação que permitem independência de tempo e espaço para que o pesquisador possa colaborar com seus grupos de pesquisa, contemplando um espaço virtual compartilhado que pode ser acessado em qualquer horário e a partir de qualquer computador conectado à Internet, permitindo assim, uma maior autonomia de seu tempo e expandindo as oportunidades de encontros dos grupos para além dos presenciais.

O cenário exposto por este trabalho apresenta benefícios diretos à Ciência da Informação, por lidar com questões que alicerçam a otimização do fluxo da informação em grupos de pesquisa para a produção do conhecimento; aos desenvolvedores de Tecnologia da Informação, por problematizar a eficiência de seus sistemas e como esses podem ser aprimorados para apoiar os trabalhos colaborativos de grupos de pesquisa; e às instituições que apóiam à pesquisa, por indicar fatores relacionados à tecnologia e infra-estrutura que auxiliam o trabalho colaborativo de seus grupos de pesquisa.

A ciência, como um amplo sistema social, se materializa a partir de três ações que podem ser apoiadas pelos sistemas de informação para colaboração: a disseminação, pelo fato de o meio eletrônico facilitar a comunicação entre pesquisadores; a padronização, devido aos métodos de produção e armazenamento oferecidos; e a homenagem aos autores, visto que esses sistemas contemplam o registro completo das produções.

Este trabalho, desenvolvido sobre a linha de pesquisa de produção e disseminação da informação, traz contribuições diretas para a área da Ciência da Informação, pois, em concordância com sua linha de pesquisa, seu estudo lida com processos, procedimentos, teorias e técnicas necessárias à concepção e à avaliação de produtos informacionais, discutindo criticamente a cadeia de produção, circulação e uso da informação por um determinado segmento sociocultural. 
 

A ciência da informação e os ambientes virtuais de colaboração

 
Para Le Coadic (1996, p. 11) o fluxo da informação pode ser interpretado como uma analogia ao esquema econômico básico: Produção --> Distribuição --> Consumo, que resulta no ciclo da informação: Construção --> Comunicação --> Uso, representado pela figura a seguir.
 
 

Figura 01 - Modelo social do ciclo da informação
Fonte: Le Coadic (1996, p. 11)
 
Os processos envolvidos com o trabalho colaborativo mediado por AVC se alinham perfeitamente com os desígnios de estudo da ciência da informação, pois para trabalharem de maneira colaborativa, os membros de um grupo, inegavelmente, utilizam os princípios de fluxo da informação, expostos por Barreto (1999), para gerarem as informações e conhecimentos que serão transmitidos aos demais membros para sua percepção, apropriação e geração de outros conhecimentos e informações.

Em consonância a esse alinhamento, surge o modelo social do ciclo da informação, supracitado, criado por Le Coadic (1996), pois devido ao fato de a colaboração ser um evento essencialmente social, irrefutavelmente, os membros de um grupo, que trabalham de maneira colaborativa, valem-se de cada um dos componentes desse ciclo, construindo informações que são comunicadas aos demais membros e, depois de percebidas e apropriadas, são utilizadas para a construção de outras.

 
Metodologia Aplicada
 
Para avaliar as diversas situações e relações decorrentes da vida social, política, econômica e demais aspectos do comportamento humano dos grupos de pesquisa, foi escolhido como método para o desenvolvimento deste trabalho a pesquisa descritiva. (SELLTIZ et al, 1975, p. 59; CERVO e BERVIAN, 2002, p. 66).

Para a coleta de dados de maneira ordenada e controlada, visando criar um ambiente consistente para análises, averiguações quanto aos relacionamentos entre variáveis e inferências para solver o estado anômalo do conhecimento, (Le Coadic, 1996, p. 9), exposto no objetivo deste trabalho, foi escolhido o questionário como técnica e instrumento.

A forma de aplicação do questionário em pauta se deu por meio eletrônico, em que cada respondente recebeu por correio eletrônico (e-mail) uma breve apresentação da pesquisa e um endereço eletrônico para uma página web onde pôde responder o questionário de maneira rápida e prática. Para a aplicação do questionário eletrônico, foi desenvolvido um sistema de informação, sob plataforma web, para o controle e gestão automática dos processos envolvidos com a autenticação de respondentes, apresentação da pesquisa e do questionário, e o armazenamento das respostas em uma base de dados. Para facilitar sua referência, o sistema de informação construído será chamado de Questionário On-Line. (RAMOS, 2006)

A população ou universo escolhido para o estudo proposto por este trabalho encerra-se nos líderes dos grupos de pesquisa atualizados nos últimos 12 meses, certificados por suas respectivas instituições e cadastrados no Diretório de Grupos de Pesquisa no Brasil da Plataforma Lattes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq [1]). Os dados da base de amostragem foram cedidos pela Assessoria de Estatística e Informação do CNPq por meio de um pedido formal. (RAMOS, 2006).

Devido à grande população que se encerra na massa de dados obtida, 24.015 grupos de pesquisa cadastrados na época deste levantamento, na Plataforma Lattes, o processo adotado para a determinação da amostra, utilizada para o desenvolvimento deste trabalho, foi concretizado em duas etapas, sendo a primeira formada pela técnica de amostragem probabilística aleatória simples, que se mostrou suficiente para a construção de um subconjunto delimitador do universo adotado; e a segunda, pela técnica de amostra intencional, construída a partir dos resultados obtidos na etapa antecedente.

Os cálculos envolvidos com a primeira etapa para a determinação da amostra utilizada neste trabalho, constituída pela amostragem probabilística aleatória simples, foram embasados em Oliveira e Grácio (2005).

O resultado da amostra para um nível de confiança de 95%, com um erro amostral tolerável de 5% e para um universo de 24.015 líderes de grupos de pesquisa, foi de 393 líderes.

Para que o sorteio contemplasse uma amostra mais representativa de sua população, optou-se por realizar uma amostra estratificada. Para isso, a população foi dividida em subconjuntos delimitados pelas grandes áreas de conhecimento determinadas pelo CNPq. Como 393 representam 1,64% de 24.015, foram calculadas amostras estratificadas de 1,64% de cada grande área de conhecimento, tal como ilustrado na tabela abaixo.



Tabela 01 - Amostras estratificadas por grande área de conhecimento



 
Para a filtragem das grandes áreas, dentro da massa de dados cedida pelo CNPq, foi utilizado o software de processamento de planilhas eletrônicas MS Excel [2], criando-se um arquivo de texto tabulado para cada uma dessas.

Para realizar o sorteio de forma totalmente aleatória e com a garantia da reposição de elementos já sorteados, foi desenvolvido um sistema de informação que automatizou essa tarefa, produzindo arquivos de texto tabulado que continham os 393 líderes sorteados. Esse sistema de informação pode ser conferido em (RAMOS, 2006).

Devido ao fato da comunicação e aplicação do instrumento de coleta de dados ser realizada por meio de correio eletrônico, dificilmente seriam obtidas respostas para toda a amostra formada na primeira etapa, pois, provavelmente, muitos endereços de e-mail estariam desatualizados, muitos outros seriam desconsiderados, pelo grande número de e-mails indesejados e mal intencionados que trafegam pela Internet atualmente; outros não seriam respondidos pela eventual falta de familiaridade de alguns pesquisadores com essa ferramenta e outros pela falta de tempo desses líderes.

Com isso decidiu-se trabalhar com uma amostragem intencional para a segunda etapa para a determinação da amostra deste trabalho, sendo essa formada pelas respostas obtidas dos 393 e-mails enviados.

Visando apresentar este trabalho de forma mais objetiva e respeitar seu limite de espaço, das 26 perguntas que conformam o questionário original apresentado em Ramos (2006), serão indicadas somente as diretamente relacionadas aos resultados obtidos, sem alteração do número de ordem em que aparecem no texto original.
 


Tabela 02 - Perguntas conforme apresentadas em Ramos (2006)

Pergunta 02 - Qual é sua área de formação de seu mestrado?
a. Ciências Agrárias
b. Ciências Biológicas
c. Ciências da Saúde
d. Ciências Exatas e da Terra
e. Ciências Humanas
f. Ciências Sociais Aplicadas
g. Engenharias
h. Lingüística, Letras e Artes
 
Pergunta 08 - De forma geral, quão próximos os pesquisadores de seu grupo estão?   
a. Muito próximos (Mesma cidade ou a menos de 50km) 
b. Próximos (Cidades vizinhas, estados vizinhos ou entre 50km e 200km) 
c. Distantes (Estados não vizinhos ou entre 200km e 700km) 
d. Muito Distantes (Estados distantes, outros países ou a mais de 700km)
 
Pergunta 10 - Qual das seguintes formas de comunicação é a DE SUA PREFERÊNCIA para colaborar com os pesquisadores de seu grupo?
a. Computador (E-mail, fórum de discussões, áudio conferência, etc...) 
b. Telefone (Voz)
c. Fax (Texto)
d. Cartas (Texto) 
e. Pessoalmente (Encontros, reuniões, etc...) 
f. Outros. Quais? ____________________
 
Pergunta 11 - Qual das seguintes formas de comunicação é a MAIS UTILIZADA para colaborar com os pesquisadores de seu grupo?
a. Computador (E-mail, fórum de discussões, áudio conferência, etc...) 
b. Telefone (Voz)
c. Fax (Texto)
d. Cartas (Texto) 
e. Pessoalmente (Encontros, Reuniões, etc...) 
f. Outros. Quais? ____________________
 
Pergunta 13 - O seu grupo de pesquisa utiliza algum ambiente virtual de colaboração para o apoio de seus trabalhos colaborativos?
a. Sim. Qual? ____________________
b. Não
c. Desconheço
 
Pergunta 14.4 - Qual é o grau de dificuldade que esse ambiente apresenta para o desenvolvimento de seus trabalhos colaborativos com seu grupo de pesquisa?
a. Muito baixo
b. Baixo
c. Razoável
d. Alto
e. Muito Alto
 
Pergunta 14.5 - Em sua visão de líder de grupo, qual é a aceitação de seus pesquisadores em relação a utilização dessa modalidade de ambiente virtual para o desenvolvimento de seus trabalhos colaborativos?
a. Total
b. Parcial
c. Nenhuma
 


Resultados Obtidos
 
Por meio do sistema de informação desenvolvido para a aplicação do Questionário On-Line, foi constatado que 100 líderes de grupo de pesquisa, dos 393 selecionados como amostra do universo considerado, responderam completamente o questionário. Essa taxa de devolução, aproximadamente 25% do total, pode ser considerada como satisfatória, pois acreditava-se que, devido ao incontrolável número de e-mails indesejados (SPAM) que são recebidos todos os dias, não seriam obtidas mais do que 40 respostas. Porém, mesmo com a probabilidade da baixa taxa de devolução, essa forma de aplicação se justifica pelo fato de incluir um maior número de respondentes geograficamente dispersos.

Considerando a compilação dos dados colhidos por meio das respostas dadas ao Questionário On-Line, e visando criar subsídios para responder à pergunta que conforma o objetivo deste trabalho, os resultados obtidos serão apresentados sob forma de gráficos estatísticos.

Para facilitar a exposição dos cruzamentos entre as respostas obtidas, será apresentado primeiramente o resultado obtido pela pergunta 13 do questionário, que, apesar de se não ser a primeira pergunta considerada, se relaciona diretamente com o objetivo principal deste trabalho e serve como alicerce as outras questões.

1 - Apenas 32% dos pesquisadores utilizam AVC para desenvolver seus trabalhos de maneira colaborativa, contra 68% que não o utilizam. Com isso, foi constatado que nenhum dos líderes consultados desconhecia o uso desses ambientes por seu grupo.
2 - Dentre as grandes áreas de conhecimento determinadas pelo CNPq, os líderes dos grupos de pesquisa inseridos nas Ciências Agrárias foram os únicos a indicar uma taxa de utilização de AVC acima de 50%, sendo apurado que 60% desses utilizam AVC para desenvolver seus trabalhos de pesquisa. Em contrapartida, os líderes dos grupos de pesquisa das Engenharias mostraram-se como os que menos utilizam AVC, por apresentarem uma taxa de apenas 15%.
3 - 75% dos pesquisadores que utilizam AVC se encontram muito próximos uns dos outros (mesma cidade ou até 50 km de distância). Esse fato confirma a temática apresentada em Ramos (2006, p. 79), onde parte-se da premissa básica que a natureza do ser humano é social, pois a proximidade física mostra-se como componente determinante para a busca dos pares para pesquisa e para o próprio desenvolvimento de seus trabalhos científicos.
4 - 50% dos líderes de grupos de pesquisa consideram razoável a tarefa agendar reuniões com todos os integrantes de seus grupos, contra 34% que consideram essa tarefa fácil e 16% que a consideram difícil. Com esse resultado pode-se inferir que 66% dos líderes lidam com problemas de encontrar um horário comum a todos os participantes de seus grupos para marcar encontros presenciais. Esse fato reforça o apresentado na justificativa deste trabalho, em que se discorre que os pesquisadores possuem outras atividades além das estabelecidas por seus grupos, que demandam tempo e deslocamento constante, dificultando assim a marcação de reuniões em horários comuns a todos.
5 - 52% dos líderes de grupos de pesquisa preferem utilizar o computador para se comunicar com os demais pesquisadores de seu grupo, contra 45% que preferem a comunicação presencial e apenas 3% que preferem o telefone. Ao cruzar essas informações com o uso de AVC, constata-se que 69% desses preferem a comunicação por meio de computadores, contra 28% que preferem encontros presenciais e apenas 3% que preferem o telefone. Esse fato mostra a grande inserção dos computadores dentro do trabalho colaborativo dos grupos de pesquisa; porém pouco pode ser constatado a respeito da utilização de ambientes virtuais apropriados para essa modalidade de trabalho colaborativo.
6 - Diferentemente da preferência examinada no resultado anterior, constatou-se que 68% dos líderes utilizam com maior freqüência o computador para a comunicação com seu grupo, enquanto que 28% utilizam encontros presenciais e 4% utilizam o telefone. Tal como realizado na construção do resultado anterior, ao cruzar essas informações com o uso de AVC, constata-se que 88% desses líderes utilizam com maior freqüência os computadores, enquanto que 9% valem-se de encontros presenciais e 3% utilizam o telefone.
7 - Com o cruzamento dos resultados 5 e 6 deste trabalho, pode-se observar que tanto preferencialmente quanto de fato, o computador se mostra como forma predominante de comunicação entre o líder e os pesquisadores dos grupos de pesquisa.  Em anuência ao exposto em Ramos (2006, p. 79), pela característica social inerente ao ser humano, os líderes dos grupos de pesquisa prefeririam ter mais encontros presenciais (28%) para comunicarem-se do que acontece de fato (9%).

8 - Os resultados 5 e 6 desta seção evidenciam que o computador substituiu totalmente o uso de aparelhos de fax e cartas manuscritas para a comunicação entre líderes e integrantes de grupos de pesquisa, enquanto o telefone teve uma considerável queda em seu uso para esse propósito.
9 - 66% dos líderes de grupos de pesquisa, que utilizam AVC, consideram que esses ambientes apresentam um grau de dificuldade baixo, enquanto 34% o consideram como razoável e nenhum pesquisador considera essa grau elevado.
10 - 62,5% dos líderes de grupo de pesquisa, usuários de AVC, consideram que o nível de aceitação de seus pesquisadores em relação à utilização desse ambiente é total, enquanto 37,5% consideram esse nível como parcial e 0% o consideram como inexistente. Esse resultado evidencia que, apesar de todos os fatores que dificultam seu uso, seu nível de aceitação pelos pesquisadores é significativo.

 

 

Análise dos Resultados e Conclusões
 
Com os resultados obtidos, desenvolvidos pela devida aplicação do método proposto, pesquisa descritiva com aplicação de questionário, são construídas as conclusões deste trabalho de maneira a responder a pergunta que conforma seu objetivo.

A efetiva utilização de ambientes virtuais colaborativos, por grupos de pesquisa para o desenvolvimento de seus trabalhos de colaboração, é baixa, pois apresenta um público de usuários de 32% do seu total, sendo que, após realizar alguns cruzamentos de dados, e verificar quais dos pesquisadores consultados indicaram ambientes virtuais próprios para o desenvolvimento colaborativo de seus trabalhos, esse índice pode ser reduzido para apenas 5%. 

O menor índice supracitado mostra que os conceitos envolvidos com o uso de ambientes virtuais colaborativos para o apoio de trabalhos de pesquisa são pouco difundidos, sendo esses ambientes muitas vezes confundidos com ferramentais isolados, que podem constituir um AVC, tal como a ferramenta de e-mail, que dentro de 32% de usuários de AVC, obteve uma taxa de 59% de uso.

Mesmo com as facilidades de independência de espaço e tempo, averiguadas na introdução deste trabalho, que a princípio trariam grandes benefícios aos pesquisadores, já que esses muitas vezes acumulam outras atividades além da pesquisa; o componente presencial é um fator de suma importância tanto para a criação de grupos de pesquisa, quanto para o desenvolvimento de seus trabalhos colaborativos. 

De maneira análoga aos encontros presenciais, os encontros virtuais podem construir ambientes formais propícios e confortáveis a discussões, debates e formação de conceitos, porém, somente nos encontros presenciais são criados ambientes informais onde erros, brincadeiras, invenções e discussões menos formais são mais naturais, pois esses não contam com mecanismos inibidores, tais como os registros completos de suas conversas.

Como alicerce ao fato da importância do componente presencial, este trabalho traz os seguintes resultados:

* A distância entre participantes não é proporcional ao uso de AVC: O resultado 3 evidencia que 94% dos pesquisadores de grupos de pesquisa, usuários de AVC, estão próximos ou muito próximos uns dos outros. Esse fato pode ser explicado por Ramos (2006, p. 80), onde se disserta que sobre o fato da proximidade física ser um pré-requisito forte não somente para os trabalhos colaborativos de produção científica, mas também mostra sua força na busca dos pares de pesquisa.

* Preferência por mais encontros presenciais: Dentre os resultados obtidos neste trabalho, o de número 7 mostra que, embora o computador seja a forma mais utilizada de fato (88%) e por preferência (69%) para a comunicação entre os pesquisadores dos grupos de pesquisa, os encontros presenciais foram os únicos a mostrarem uma taxa maior de preferência (28%) do que de fato (9%). Provavelmente essa maior taxa de preferência (69%) atribuída ao computador, se deve à dificuldade de agendar encontros presenciais com todos os integrantes do grupo de pesquisa, evidenciada no resultado 4, onde obteve 56% de respostas entre difícil e razoável.
Mesmo com a obtenção do índice mais baixo de 5%, será considerado o índice de 32% de líderes de grupo de pesquisa que utilizam AVC, pois esses, além da afirmação de serem usuários, trazem informações essenciais para a construção das próximas inferências.
Embora esses sistemas não conformem ainda ambientes ideais para o trabalho colaborativo dos grupos de pesquisa, conforme os dados exibidos levam a inferir, alguns resultados apresentados neste trabalho mostram seu potencial de evolução. É importante ressaltar que esses resultados são formados de apenas 32% dos lideres de grupos de pesquisa que utilizam AVC para desenvolver seus trabalhos colaborativos.

* Baixo grau de dificuldade para uso: O resultado 9 mostra que 66% dos líderes consultados atribuem a esses ambientes um baixo grau de dificuldade para lidar com suas funcionalidades, enquanto 34% consideram esse grau razoável e nenhum líder considera esse grau como elevado.

* Aceitação desse ambiente pelo grupo de pesquisa: Segundo o resultado 10, 62,5% dos líderes de grupos de pesquisa observam uma aceitação total de seus pesquisadores para a utilização desses ambientes, enquanto 37,5% observam uma aceitação parcial e nenhum desses observa uma aceitação nula.

* Utilização por grande área de conhecimento: Um fato inusitado foi percebido no resultado 2 deste trabalho, pois, diferentemente do que se acreditava, as áreas de engenharia e ciências exatas estão entre as que obtiveram as menores taxa de utilização de AVC, apresentando apenas 15% e 21% de uso, respectivamente, enquanto que as áreas de ciências agrárias e ciências humanas estão entre as que obtiveram as maiores taxas de utilização de AVC, 60% e 41% de uso, respectivamente. Esse resultado é inesperado pela percepção geral de que as áreas desenvolvedoras desses ambientes, ciências exatas e engenharias, seriam seus principais usuários, seja por sua grande familiaridade com as tecnologias envolvidas, ou pelo desenvolvimento para atender suas próprias necessidades, ou por demandas externas.

 
Por fim, é necessário inferir que os encontros presenciais para o desenvolvimento dos trabalhos colaborativos dos grupos de pesquisa, utilizados pela inerente característica social dos seres humanos, dificilmente serão substituídos por sistemas de informação que provêm ambientes virtuais de colaboração, portanto é razoável concluir que esses ambientes devem ser utilizados de forma complementar, apenas como mais um ferramental para otimizar o fluxo de informações dentro de um grupo de pesquisa, e nunca de maneira a substituir os inevitáveis e apropriados encontros presenciais.
 

Agradecimentos
 
À Assessoria de Estatística e Informação do CNPq, pela rápida extração do conjunto de dados da base corrente do Diretório de Grupos de Pesquisa no Brasil que formou o universo escolhido para o estudo proposto por este trabalho.
À Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) pelo apoio institucional e financeiro que possibilitaram a realização deste trabalho.

 
 Notas

[1] http://www.cnpq.br

[2] http://www.microsoft.com/brasil/office/default.asp
 

Referências Bibliográficas

BARRETO, A.A. O destino da Ciência da Informação: entre o cristal e a chama. Informação e Sociedade: Est. João Pessoa, V.9, n.2 p. 371-382, 1999. Também disponível em DataGramaZero. Rio de Janeiro, n. zero, dez 1999 < http://www.dgzero.org/dez99/Art_03.htm >.

CERVO, Amado L.; BERVIAN, Pedro A. Metodologia científica. 5 ed. São Paulo: Prentice Hall, 2002.
 
LE COADIC, Yves-François.  A ciência da informação.  Brasília: Briquet de Lemos/Livros, 1996.
 
OLIVEIRA, Ely F. T. de ; GRÁCIO, Maria C. C. Análise a respeito do tamanho de amostras aleatórias simples: uma aplicação na área de ciência da informação. DataGramaZero. Rio de Janeiro, v.6, n.3, jun 2005. Disponível em: < http://www.dgzero.org/ago05/Art_01.htm >. Acesso em: 13 jun. 2006.
 
RAMOS, Amauri P. Construção, uso e disseminação da informação em grupos de pesquisa por meio de ambientes virtuais de colaboração. Trabalho apresentado como requisito parcial para obtenção do título de Mestre - Programa de Mestrado em Ciência da Informação, PUC-Campinas, 2001.

SELLTIZ, Wrightsman; et al. Métodos de pesquisa nas relações sociais. São Paulo: E.P.U., EDUSP, 1975.



Sobre os autores / About the Authors:

Amauri Pereira Ramos
amauriramos@gmail.com

Mestre em Ciência da Informação, Pontifícia Universidade Católica de Campinas - PUC-Campinas, Rod. Dom Pedro I, Km 136, Parque das Universidades, 13.086-900, Campinas, SP, Brasil, Tel: 19 3756-7001


José Oscar Fontanini de Carvalho
oscar@puc-campinas.edu.br

Doutor em Engenharia Elétrica, Professor Titular da Pontifícia Universidade Católica de Campinas - PUC-Campinas, Rod. Dom Pedro I, Km 136, Parque das Universidades, 13.086-900, Campinas, SP, Brasil, Tel: 19 3756-7365