O UNIVERSO EVOLUÇÃO

 

 

Depois de muitos anos dedicados a funções de telecomunicações e posteriormente à informática, projetando e desenvolvendo “softwares”, por contingência da idade fui levado à inatividade profissional.

As atividades familiares e o lazer logo demonstraram-se insuficientes para suprir de forma completa a antiga atividade cerebral  que antes era exercida no trabalho.

As limitações advindas com o envelhecimento do corpo, por outro lado, passaram a impedir a continuação do trabalho na forma antiga.

Tudo isso, em conjunto, trouxe logo a preocupação  com a provável deterioração da capacidade cerebral que certamente ocorreria. Passei então a forçar as funções de meus neurônios, aprendendo e aplicando novos recursos da informática, ainda não existentes no meu tempo  na ativa. Passei a usar javascript para confecção de páginas na Internet. Dediquei-me também a edição de “Clipes” em DVD.

Desta forma pretendo manter em atividade, minhas interligações entre os neurônios por mais tempo.

Comecei então a pensar no assunto de uma forma bem geral, talvez filosófica: Parece que importa mais “desenvolver” que “existir”.

Sempre achei que, por limitação do cérebro humano, não conseguimos conceber algo que não seja limitado no espaço nem no tempo. Temos sempre de questionar: ... e antes?; ... e depois?; ... e além?

Creio mesmo que tudo é fruto de uma simplificação antiga e talvez inadequada: O concreto e o abstrato. Concreto consideramos a matéria e tudo que não é matéria seria abstrato. A realidade não é bem assim, pelo menos no sentido que se costuma dar ao termo abstrato.

O Universo não pode ser considerado como um conjunto de matéria.  Mesmo considerando a energia um ente transformável em matéria,  acho que o Universo é mais que isto.

Note-se que estamos falando num estado chamado matéria e outro estado chamado energia, e admitimos a transformação entre matérias, entre energias,  bem como entre energias e matérias. Parece-me que dois entes de natureza diferente aí se relacionam: o estado e a mudança de estado. Estamos acostumados a concentrar nosso ponto de vista no estado. Normalmente estudamos bem o estado atual e definimos como meta um outro estado futuro, a ser  atingido através da transformação.

Que tal se admitirmos que o ente mais real não seja nem a matéria  nem a energia, mas sim a transformação em si..

Na nossa experiência de vida sentimos bem que não nos satisfaz nenhum estado de coisas (matéria e energia), e sim a transformação de um estado para outro, quando em determinado sentido em que haja algum ganho, isto é, EVOLUÇÃO.

Pois é, se nos abstraímos dos conceitos materialistas, que consideram os estados absolutos, e focarmos na transformação, talvez melhor compreendamos alguns conceitos que Einstein nos forneceu em seus estudos de transformação, de velocidade da luz e de espaço-tempo. Também não teremos de considerar o tamanho ilimitado do Universo, nem seu início nem seu fim, o que não conseguimos conceber.

Poderíamos dizer que o  Universo sempre foi uma transformação contínua, nunca foi criado, nunca terá fim, pois início e fim, assim como nossa vida presente seriam apenas estados dessa transformação., que é sua própria essência

Numa analogia com um PERT, podemos imaginar os estados como eventos e as tranformações como atividades. Os eventos sempre são início ou fim de atividades,  mas as atividades não estão subordinadas aos eventos: podemos imagina-las sem vinculação ao seu início ou seu fim, com qualquer duração, inclusive infinita.

E nós, o Homem, também costumamos considerá-lo estado de uma evolução. Podemos, em outra óptica, considera-lo uma evolução, em si. Nunca fui criado, nunca deixarei de ser, apenas evoluo sempre. Hoje já se diz  que  mais importante do que TER é SER, mas poderíamos dizer que mais vale EVOLUIR, pois em realidade nós não SOMOS, nós ESTAMOS. Comparando o estado de JESUS com o nosso estado presente podemos bem sentir o que é evolução.

O anjo, o espírito puro, imaginado no mais alto grau da escala espiritual, estaria fadado à estagnação? Certamente ele, em seu estado de perfeição, não se contentaria em não evoluir.

Assim, a evolução é que é a meta desejada e não o estado a ser atingido. Todas essas considerações nos levam em direção a um Universo Evolução, nunca a um seu estado qualquer, inicial,  presente ou futuro,  que seriam limitações inconcebíveis.

Não sendo obrigatório qualquer estado, o fim bem como o início,  não são necessários nesta concepção. Não há, conseqüentemente, necessidade de Criação e portanto, de um CRIADOR!

É comum aceitarmos a idéia de criação, como um início, mas não aceitarmos nossa extinção, no final. Não há consistência em não aceitar o infinito no passado e aceitá-lo no futuro.

... Não, eu não estou dizendo que não acredito em DEUS. Falei em Criador.

Este imenso UNIVERSO EVOLUÇÃO, em equilíbrio permanente, é regido por princípios  e leis pelas quais sabemos que não somos nós humanos os responsáveis. Essa perfeição devemos a alguma INTELIGÊNCIA ( no sentido mais amplo desta palavra) muito superior a nosso conhecimento. Chamamo-la DEUS.

Parece-me que o Universo, que nos inclui,  é em sua natureza, uma evolução.